Há habitantes de Peroguarda, no concelho de Ferreira do Alentejo, que dizem estar a viver praticamente isolados do mundo digital. Falhas na rede móvel, problemas de internet e interrupções no telefone estão a provocar indignação entre a população, que alerta para uma situação que considera ter ultrapassado a questão do incómodo e passado a representar um problema de segurança.
A denúncia chegou à Rádio Pax através de moradores da localidade.
Segundo o relato recebido pela nossa redação, existem zonas de Peroguarda onde o sinal de telemóvel é inexistente ou muito reduzido e onde as dificuldades se estendem também ao acesso à internet e ao serviço telefónico.
Mas é uma das situações descritas pelos habitantes que levanta maiores preocupações.
Os moradores garantem que já enfrentaram dificuldades quando tentaram contactar o Número Europeu de Emergência 112, havendo relatos de chamadas que terão caído.
A confirmar-se, trata-se de uma situação particularmente grave numa pequena localidade do interior, sobretudo perante uma emergência médica, um incêndio, um acidente ou qualquer outra ocorrência em que cada minuto pode fazer a diferença.
A legislação determina que os operadores de comunicações devem assegurar o acesso gratuito aos serviços de emergência através do 112. A própria ANACOM reconhece que a ausência de cobertura de redes móveis numa determinada zona impossibilita o acesso ao número de emergência através dessas redes.
O problema em Peroguarda não será, segundo os moradores, recente.
A população garante que já apresentou várias reclamações junto da MEO e afirma ter recebido, em julho, a indicação de que seria instalada uma nova antena no prazo aproximado de um mês.
A infraestrutura, dizem os habitantes, continua por instalar e os problemas mantêm-se.
O descontentamento é agravado por outra questão: os habitantes dizem continuar a pagar mensalmente por serviços que, em determinados períodos e locais, não conseguem utilizar em condições consideradas normais.
O problema das comunicações no concelho de Ferreira do Alentejo tem, aliás, antecedentes.
Em dezembro de 2023, ficou registado numa reunião da Câmara Municipal que a autarquia tinha reportado à MEO deficiências no serviço prestado no concelho.
Na resposta enviada ao município, a empresa sustentava que a generalidade do território apresentava uma elevada cobertura de voz e dados no exterior, sobretudo junto dos maiores aglomerados populacionais, embora admitisse a existência pontual de locais com níveis de sinal mais reduzidos no interior dos edifícios.
Agora, os relatos provenientes de Peroguarda voltam a colocar o problema em cima da mesa.
Mais do que conseguir navegar na internet ou fazer uma chamada sem interrupções, os moradores dizem estar em causa um serviço essencial.
Peroguarda espera agora uma solução para um problema que, segundo a população, se arrasta sem resposta definitiva e deixa uma pequena localidade do concelho de Ferreira do Alentejo a lutar por algo que, em pleno 2026, deveria ser básico: conseguir comunicar quando é preciso.