Beja conta com apenas 19 dos mais de 1.500 polícias destacados para a segurança aeroportuária e controlo de fronteiras nos aeroportos portugueses. O número é revelado pela PSP numa altura em que Portugal passou a recolher obrigatoriamente dados biométricos de todos os passageiros abrangidos pelo novo sistema europeu de controlo de entradas e saídas.
Desde 6 de setembro, fotografias e impressões digitais passaram a ser recolhidas a 100% dos passageiros sujeitos ao Sistema de Entrada/Saída da União Europeia, conhecido pela sigla EES.
A nova realidade está, segundo a Polícia de Segurança Pública, a decorrer sem grandes constrangimentos na generalidade dos aeroportos nacionais. Faro é, para já, a principal exceção, devido à maior pressão registada no controlo fronteiriço.
E é no retrato dos meios humanos colocados nos aeroportos que Beja aparece com uma realidade muito diferente dos restantes pontos de entrada no país.
A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP dispõe atualmente de 1.504 polícias dedicados à segurança aeroportuária e ao controlo fronteiriço.
Lisboa concentra 706 elementos, seguindo-se o Porto, com 325, Faro, com 215, os Açores, com 124, a Madeira, com 115, e, no final da lista, Beja, com apenas 19 polícias.
Os números surgem num momento em que o Aeroporto de Beja continua a fazer parte da discussão sobre o futuro da capacidade aeroportuária nacional e sobre o eventual aproveitamento daquela infraestrutura.
A aplicação integral do novo controlo biométrico representa, entretanto, um desafio adicional para as autoridades.
Em entrevista à agência Lusa, João Ribeiro, diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, garante que o sistema está a funcionar de forma fluida na maioria dos aeroportos.
Os tempos de espera aumentaram, mas permanecem, segundo o responsável, dentro de valores considerados aceitáveis.
Em Lisboa, por exemplo, um passageiro que anteriormente poderia demorar entre cinco e 15 minutos a passar pelo controlo fronteiriço está agora a enfrentar tempos que podem variar entre os 15 e os 30 minutos.
O cenário mais complicado encontra-se em Faro.
A concentração de vários voos num curto espaço de tempo, os atrasos no tráfego aéreo e até as condições meteorológicas podem provocar picos repentinos de passageiros e aumentar significativamente a pressão sobre os serviços de fronteira.
Num dos episódios relatados pela PSP, mais de dez aviões aterraram num intervalo de apenas 25 minutos, muitos deles transportando passageiros britânicos sujeitos ao controlo de fronteira.
O novo procedimento resulta da aplicação do Sistema de Entrada/Saída da União Europeia, que começou a ser introduzido de forma faseada em outubro de 2025.
Até agora, perante filas ou situações de maior pressão, era possível suspender temporariamente a recolha biométrica. Desde 6 de setembro, a regra passou a ser a aplicação do procedimento à totalidade dos passageiros abrangidos.
A Comissão Europeia admite, contudo, exceções até dezembro quando existam problemas tecnológicos.
A PSP considera que os investimentos realizados nos últimos meses ajudaram a evitar a repetição dos graves constrangimentos anteriormente registados em alguns aeroportos.
Além do reforço tecnológico e da reorganização dos circuitos de passageiros, foram colocados 360 novos elementos nas fronteiras aéreas.
Apesar disso, a estrutura está ainda longe do quadro considerado ideal.
João Ribeiro admite que os atuais recursos representam aproximadamente 80% da capacidade recomendada. A prioridade, porém, passa agora não apenas pelo número de agentes, mas pela especialização, nomeadamente na deteção de documentos falsos e na identificação antecipada de riscos migratórios.
A PSP também não garante que as longas filas não possam regressar. Falhas tecnológicas, concentração inesperada de voos ou limitações de recursos humanos podem voltar a provocar dificuldades.
No meio de um dispositivo nacional com mais de 1.500 elementos, Beja surge com o contingente mais reduzido: apenas 19 polícias destinados à segurança aeroportuária e ao controlo fronteiriço.